• Jan Santê

MULHER BRASILEIRA.



Cintura de viola ou violão, por vezes contrabaixo ou percussão. Com seu mexo e remelexo, ela passa por vezes sem graça, outras com suas gracinhas e astúcias. Uns dizem que sambam, outros, que bailam, mas o que importa é a variante de sua cintura na ciranda de qualquer província e dia a dia. A ciranda que cala a voz pensante e deixa de boca e olhos abertos ao vê-la volver e flutuar com seu brilho inigualável e altivez que só lhe é peculiar, o de mulher aguerrida e digna de cada galanteio ao ar em respirações estimulantes.


Ainda há aquelas com sua própria e única magia, de driblar o tempo e espaço, sendo uma, duas, três... Para assim serem e terem a sua caldeira fervente de iguarias variadas. Vestes quarando, passadas e repassadas com essências únicas, em servilismo ao seu mestre, suposto protetor e seus pequenos aprendizes.


Mulher obstinada e feliz, qual o seu atrativo, mulher brasileira? Seu ritmo, com mãos de fadas ou de super-heroínas, com verdades e sonhos, às vezes não realizados. Age e reage à noite e dia com dores que trespassam o tempo e idade. Com suas gargantas embargadas em vans esperanças, e mesmo sendo vans é talvez o único arrimo para continuar no mesmo ritmo da música que toca mundo a fora ou dentro de si mesma. Com sua peleja compulsiva acreditando no amanhã, batalha, apanha, nasce, morre e renasce para um novo dia com a mesma alegria.


A mesma mulher nascente de outros rios que corre de encontro ao mar, superando estorvos, limitações com valentia, coragem, audácia e carga vital, chega com força e superação.


Mulher brasileira, orgulho nacional e de tantos outros povos e culturas, alcançando grandes proporções somente por serem assim, brasileira, para continuarem o rumo ou sentido, o sentimento de morrer e renascer a cada raio de luz.


Jan Santê

7 visualizações

Jan Santê © 2020. Todos os direitos reservados.

  • Instagram - White Circle