• Jan Santê

ÉTICA E DOR NO FOTOJORNALISMO.

Baseado no documentário "Abaixando a Máquina - Ética e Dor no Fotojornalismo Carioca" e por um Fotojornalismo que respeite a dignidade humana.


É difícil definir os sentimentos nas situações de risco, mas existe uma força de atração que vai muito além de qualquer possível temeridade. Como foi dito no documentário, o que para alguns pode ser a imagem do medo, para mim, o prazer do registro do momento único, da expressão instintiva, da dor, da alegria, do ser humano e o que acontece a sua volta, é indescritivelmente mágico. Realmente o obsceno não é a foto, é a realidade que se revela e temos que olhar para ela com mais consciência.


Abaixando a Máquina mostra o quanto a profissão do fotojornalista é arriscada e incrivelmente humana, não só pelo ângulo do profissional, mas principalmente, o olhar de cada fotógrafo para o seu próximo e seus conflitos sociais e pessoais. Sem dúvida, a dor no momento do foco, é amparada pelo profissionalismo e retida em suas memórias a foto, que por uma empatia extrema, não foi retratada com sua máquina.


Um documentário real, impactante, mas que nos elucida diante do profissional de Jornalismo que raramente mostra a cara, mas que tem o dever de mostrar a realidade, a vida ou a morte. Nenhuma foto vale uma vida, mas o profissional tem que ser imparcial diante dos fatos e registrar a passagem do tempo sem demagogia.


Como em qualquer profissão existe aqueles fotojornalistas sem escrúpulo, apelativos, sem ética qualquer, que se aproveita da situação ignorando a dor e o sofrimento alheio, e que por isso, grande maioria são julgados como insensíveis e sensacionalistas por mostrar a moléstia da sociedade, afinal, sangue nem sempre gera uma pauta de valor. Mas independente da noticialidade, a emoção está na realidade, o obsceno é o fato que levou aquela foto, e nesse momento é preciso o olhar criterioso para saber o melhor momento de apertar o botão com discernimento e profissionalismo.


A preservação dos direitos de cada ser humano é fundamental para o respeito comum e às ofensivas aos valores morais preservando a sua privacidade, mas o registro é válido para qualquer meio midiático, para a produção de conhecimento e informação autêntica, desde que seja verdadeiro sem qualquer manipulação da realidade ou contexto. A ética do Fotojornalista é o próprio reflexo de sua moral, quando este é profissional diante da realidade, a verdade e o fato em si é sem dúvida a base, sua própria verdade registrada por sua lente.


A palavra mente é construída e reconstruída ao bel prazer e interesse do editor, mas a imagem não, ela fala, grita, tem o peso e valor real de um documento. Com a imagem se constrói uma pauta, dá valor, traduz, completa, o contrário de uma matéria sem imagem que não se prova, pode ser construída e esboçada com interesses e sem escrúpulos. Assim como existem as matérias frias, as matérias sem fotos são mornas e precárias, e por isso, os fotojornalistas deveriam ser mais valorizados pelo fato de que são eles que arriscam suas vidas e dão valor à pauta.


Jan Santê




Link:

Abaixando a Máquina - Ética e dor no fotojornalismo carioca. https://www.youtube.com/watch?v=KkzP4-UqNB8

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